História

Dom Antônio, Dom Jayme e Dom Moacyr Dom Antônio, Dom Jayme e Dom Moacyr (Foto: )

Concepção, estruturação e desenvolvimento da FCR

 

 

Dom Moacyr Grechi, Arcebispo Emérito de Porto Velho que aceitou o desafio de sediar as bases do Projeto de Ensino Superior Católico na Amazônia, costuma dizer nos eventos que participa, quando é mencionada a Faculdade Católica de Rondônia (FCR), que a mesma tem como um dos seus maiores mentores “Dom Antônio Possamai” (Bispo Emérito da Diocese de Ji-Paraná), grande defensor da Amazônia e das Comunidade Eclesiais de Base – CEBs). Relata ainda que em conversas com Dom Antônio em Itaici-SP, refletiam a necessidade que a Igreja Católica na Amazônia teria de uma Instituição de Ensino Superior Católica, para que possa contribuir com a sociedade e formar lideranças dentro dos princípios cristãos e humanísticos. Uma instituição que ofereça um Ensino de qualidade, com a identidade católica e priorizando a inclusão social, para que possa imbuir em seus formandos às perspectivas cristãs necessárias para a transformação social do ambiente em que vivem.

E neste encontro dos bispos do Brasil em Itaici-SP, quando perguntados do que precisariam para fortalecer a missão da Igreja na Amazônia, afirmaram que precisavam de apoio para a realização dos estudos e implantação de uma Instituição de Ensino Superior Católica na Região Norte, que naquele momento não tinha nenhum instituição católica credenciada pelo MEC.

Dom Moacyr costuma relatar que o “susto foi grande”, mas os bispos reunidos aprovaram a ideia e recomendaram o início dos estudos para a implantação da IES católica. Aprovação está presente no Documento da CNBB “Missão da Igreja na Amazônia”, publicado em 2003, que em seu Programa 2, trata sobre as Universidades e estabelece metas para a implantação de Instituições de Ensino Superior Católicas na Amazônia.

Assim nasceu o sonho especial da Igreja local de Porto Velho conjuntamente com a Diocese de Ji-Paraná, de implantar uma Instituição de Ensino Superior Católica na região da Amazônia, mais concretamente no Regional Noroeste. Pois Dom Moacyr Grechi e Dom Antônio Possamai compreendiam que chegava o momento de ser pensado uma Inteligência Católica nessa região, para formar novas lideranças e assim fortalecer a luta pela transformação social da região.

Na 40ª Assembleia Geral da Conferência dos Bispos do Brasil – CNBB, realizada em Itaici-SP em 2002, foi criada a Comissão Episcopal para a Amazônia. A Comissão, a partir de 2004, passou a ser presidida por Dom Jayme Henrique Chemello, então Bispo de Pelotas/RS, que deu grande impulso aos objetivos da Comissão, sobretudo no campo educacional.

 Como mencionado, em seus trabalhos a Comissão elaborou o Documento “Missão da Igreja na Amazônia”, publicado em 2003, com o objetivo de “disseminar e sensibilizar as lideranças Católicas para que promovam, de forma articulada, uma presença efetiva na Amazônia”.

Nesta época Dom Jayme, em entrevista a Revista Colabor@ da Rede CVA-RICESU (Rede Instituições de Ensino Superior Católica do Brasil), declarou que “as ações deverão garantir o respeito às diferenças culturais da região, prevendo sempre o envolvimento de agentes e lideranças locais na concepção e na execução dos projetos educacionais” e continuo afirmando que “no imenso território da Amazônia, a presença da Igreja nos meios acadêmicos e de formação é muito tímida. Não existe uma Universidade Católica, portanto, a Comissão acredita que as Instituições Católicas de Ensino Superior poderão contribuir para os seus objetivos, que são: a) Formar militantes cristãos leigos da região para fortalecer a Igreja Missionária da Amazônia; e, b) Dar maior visibilidade à Igreja no tocante aos problemas da realidade amazônica, para o desenvolvimento sócioambiental da região; e para alcançar as metas: a) Criar "Centros de Formação Superior" que incentivem alguns campos do saber, como teologia, filosofia e outras ciências humanas e sociais; e, b) Por meio da criação dessas Faculdades e Centros, dar um cunho ético a todo o processo de formação e pesquisa, contemplando os temas como: Antropologia, Cidadania e Exclusão social, Espiritualidade e Ecologia”.

Em contatos para iniciar o processo da criação de uma instituição de ensino superior católica na Região Norte, Dom Jayme Chemello, então presidente da Comissão Episcopal para a Amazônia, em encontro realizado em junho de 2004 em Curitiba buscando apoio das Universidades Católicas para uma presença na Amazônia, conseguiu a transferência do Prof. Dr. Fabio Rychechi Hecktheuer e da Profa. Dra. Marcia Abib do Sul da Arquidiocese de Pelotas e da Universidade Católica de Pelotas–UCPEL para Rondônia.

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 Portanto, a partir de setembro de 2004 começaram os trabalhos a fim de estudar as possibilidades e perspectivas da implantação de uma Instituição de Ensino Superior Católica na região.

Fundada em 2007, a FCR é o sonho, concretizado, de um grupo de atores da sociedade civil, educacional e católica de Rondônia com o apoio da CNBB - Conferência Nacional dos Bispos do Brasil. O caminho traçado contou com a participação de pessoas que, competentes dentro do seu universo de conhecimento, souberam agir de forma comunitária para a concretização do sonho. A começar por Dom Moacyr Grechi e Dom Antônio Possamai, idealizadores e fundadores do projeto, que logo tiveram o apoio da Comissão Episcopal para Amazônia, na pessoa de Dom Jayme Chemello, e dos professores Fabio Rychechi Hecktheuer e Márcia Abib que vieram da Universidade Católica de Pelotas para elaborar toda a documentação necessária para a criação da Faculdade Católica de Rondônia.

Imbuídos deste espírito e destes anseios, protocolaram-se os documentos no Ministério da Educação e após avaliação documental, foi realizada visitain locu em setembro de 2006 para averiguação das condições para oferta do primeiro Curso de Filosofia e para início das atividades dos polos de Educação a Distância em parceria com o Centro Educacional Claretiano. Após a visita do MEC o curso e a criação (credenciamento) da Faculdade Católica de Rondônia (FCR) foram aprovados com louvor e foram publicados no Diário Oficial da União em fevereiro de 2007 os documentos legais de Credenciamento (Nº 174, 13/02/2007 – DOU 15/02/2007) e Autorização do Curso de Filosofia (Portaria Ministerial n. 147, de 14 de fevereiro de 2007).

A partir de 10 de novembro de 2006 a Faculdade Católica de Rondônia e o Centro Universitário Claretiano, abrem as portas para o início de suas atividades e inscrições do Processo Seletivo para os cursos de graduação e das inscrições para os cursos de pós-graduação ofertados, neste primeiro momento, na modalidade EAD.

Aconteceram processos seletivos em dezembro de 2006 e em fevereiro de 2007, formando a primeira turma do curso de Licenciatura em Filosofia e diversas turmas dos cursos ofertados na modalidade de educação a distância (EAD), entre elas: Letras-Português, Pedagogia, Teologia, Filosofia, Recursos Humanos, Gestão Financeira e Formação Pedagógica em Matemática (curso destinados bacharéis que atuam como professores de matemática, porém sem a licenciatura). Cabe destacar que o público selecionado e que ingressou nestas primeiras turmas, em quase sua totalidade, era composto por lideranças das comunidades e pessoas que a tempo vinha tentando cursar uma faculdade, mas que pelas condições socioeconômicas não conseguiam. Vale lembrar, mais uma vez, que a educação a distância possibilitou a formação de profissionais/professores vindos de distantes áreas, como os ribeirinhos do Baixo Madeira, Humaitá, Mutum Paraná e União Bandeirantes.

Concomitantemente com as atividades do curso de Filosofia e pós-graduação presencial, as atividades dos cursos na modalidade EAD e demais atividades, se prosseguia na formulação de estudos para abertura de novos cursos. Um curso muito procurado pelas lideranças e que também teria condições de sustentabilidade, sendo também um dos objetivos do Projeto e da FCR, era o curso de Bacharelado em Direito.

Assim, realizaram-se estudos, bem com os documentos e recursos necessários, como Projeto Político Pedagógico do Curso, aquisição de livros, organização de salas, parcerias necessárias para a execução do curso e relação de professores comprometidos. Após todos os ajustes necessários e regularização documental, protocolou-se em setembro de 2008 junto ao Ministério da Educação pedido de Autorização do Curso de Bacharelado em Direito.

Finalmente foi publicada a Portaria Ministerial n. 47, de 1° de junho de 2011, autorizando o total de 100 vagas anuais para o Curso de Direito da Faculdade Católica de Rondônia. Documento este que possibilitou a abertura do Processo Seletivo julho de 2011, havendo uma procura bem maior do que a quantidade de vagas, formando duas turmas de 50 alunos cada no período noturno.

Considerando que desde 2008 a FCR vem oferecendo cursos de Pós-GraduaçãoLato Sensue, como é do conhecimento de todos, a região e, sobretudo, o estado de Rondônia possui um acentuado déficit de profissionais habilitados nas diversas áreas em nível de Pós-GraduaçãoStricto Sensu(Mestrado e Doutorado). Atenta a essa necessidade e de acordo com o perfil institucional e compromisso da FCR para com a região, buscaram-se parcerias com outras Instituições Católicas e Universidades já consolidas e que possuem Programas de Pós-GraduaçãoStricto Sensupara oferta de Mestrado (MINTER) e Doutorado (DINTER) Interinstitucional.

Hoje (2014), conta com mais de 2190 alunos em dois cursos de graduação e mais de 15 de pósgraduação! Além de já ter beneficiado, indiretamente, mais de 15 mil pessoas com prestação de serviços gratuitos, palestras, turmas de pré-vestibular, atividades de extensão e formações diversas. Seu comprometimento com o Ensino Superior em Rondônia se revela ainda com a oferta do Mestrado em História em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – PUC/RS (início 2012) e do Doutorado em Ciências Políticas com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS (início 2014). Concretizando assim a atuação nos três níveis conforme apregoa o Ministério da Educação Brasileiro: ensino, pesquisa e extensão.

Assim, com uma proposta educacional ética, responsável e inclusiva, a FCR objetiva e vem contribuindo na construção de uma sociedade mais justa e de uma vida mais digna e fraterna para os povos de Rondônia, da Amazônia e do Brasil.

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